"A
publicidade é uma das formas mais interessantes
e difíceis da literatura moderna."
Aldous Huxley
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RESUMO:
"A publicidade e a propaganda quase sempre
estão associadas à criatividade.
Para que serve a criatividade?
Para quem você deve transmitir o seu recado?
Qual o recado que você precisa transmitir?
Quais resultados se deve esperar de uma peça de propaganda
e publicidade?"
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Um dos aspectos da propaganda e publicidade
que mais chama a atenção é o uso da
criatividade.
Nas
agências de publicidade e propaganda o pessoal da
criação, usualmente, é tido como "maluco",
ou eles próprios se travestem desse papel-perfil,
ajudando a reforçar a fama.
Mas
quais as razões que conectam a área de propaganda
e publicidade à criatividade?
A
razão básica é porque num mundo onde
há múltiplos apelos, convites, o público
(você!) só dedica os minutos preciosos do aluguel
ou empréstimo da sua cabeça ao que chama a
sua atenção.
A
idéia básica da propaganda é chamar,
capturar a sua atenção e, em seguida, passar
o recado. De preferência rapidamente, pois a atenção
é fugidia. Pura e simplesmente isso, só isso.
Só
que para chamar a atenção fica sendo cada
vez mais difícil pela multiplicidade de apelos, pela
"gritaria", auditiva e visual, a que somos submetidos.
E quanto mais "gritam", mais somos seletivos.
Aliás,
esta é uma das razões pelas quais dizem que,
em pouco tempo, teremos empresas comprando a nossa atenção,
pois a atenção torna-se um dos bens mais procurados
pelas empresas e mais raros de serem encontrados.
A
criatividade é uma excelente ferramenta para chamar
a atenção.
O
inesperado também. É aqui que entra o que
se convencionou chamar marketing de guerrilha, e que tem
suas ações mais voltadas à propaganda
de guerrilha.
Uma
discussão que eu não vou entrar é se
as ações inesperadas são mais um produto
da criatividade, portanto abarcadas pelo mesmo conceito.
É bem provável que seja.
Essa
busca da criatividade e do inesperado pode virar fim em
si própria e acabar virando a busca do imponderável,
do imensurável.
Eu
recomendo que você veja este vídeo, clicando
aqui, que apresenta uma campanha criativa e
inesperada para uma "sex-shop", na Europa.
Primeiramente
o exemplo apresentado é muito mais uma propaganda
de guerrilha do que marketing de guerrilha. A propaganda
e a publicidade são partes integrantes do marketing,
mas que não podem ser confundidas com o marketing,
pois este é muito maior. Mas isto frequentemente
ocorre.
Eu
gostaria de ter para analisar os resultados a curto, médio
e longo prazo desta ação, pois o resultado
é o que vale.
Minhas
dúvidas são as seguintes, com relação
a esta propaganda apresentada:
-
qual o público-alvo a ser atingido?
-
um fato "gritante" como este ajuda ou atrapalha
na busca da atenção?
-
os resultados, quais foram os resultados para a loja que
bancou a propaganda?
-
os resultados foram capturados pela loja que pagou a propaganda?
-
houve aumento de vendas nas outras "sex-shop"?
Eu
tenho dúvidas se este tipo de propaganda, que inevitavelmente
chamou a atenção, deu resultados em termos
de acréscimo de vendas, pois o público que
associaria o "reclame" à loja de "sex-shop"
seria aquele que já a freqüenta. Mas isto só
é um "achismo" meu, precisaríamos
de maiores dados da realidade para verificar que tipo de
público foi atraído, e se foi atraído...
A
veiculação paralela provocada por este tipo
de exposição - geração de notícias
e diz que diz - pode ter sido o maior ganho, caso tenham
conseguido associar a notícia ao "sex-shop"
específico que o patrocinou. Ou será que houve
também aumento de vendas em outros "sex-shops"?
Meu
propósito é contrapor a idéia fixa
de criatividade (inesperado) versus a efetividade da campanha.
É
um erro comum da propaganda encarar a criatividade pela
criatividade, a criatividade como fim.
Deixe-me
pensar escrevendo, a título de exemplo, ficando em
um segmento esquecido para este tipo de negócio:
o público da terceira idade. Este público
seria bom para o "sex-shop", creio eu, pois tem
os recursos financeiros mas não fazem parte do perfil
de quem comparece em "sex-shops" para comprar
seus brinquedinhos... Olha só o meu preconceito!
Se
focarmos o público que já vai a "sex-shops",
para fazer uma pesquisa com eles, continuaremos com o mesmo
mercado de pessoas mais "sem-vergonha" de freqüentar
um "sex-shop".
Qual
é o percentual de vendas pessoais e virtuais de um
"sex-shop"?
Uma
simples sugestão alternativa de publicidade: uma
foto de um casal de cabelos brancos que denote, insinue
carinhos íntimos e uma frase, com este sentido, mas
que pode e deve ser trabalhada:
"Junte
brincadeira ao seu prazer.", ou
"Brinque
com o seu prazer.", ou ainda
"Brinque
com o seu amor"
Essa
publicidade, provavelmente, não seria taxada de invasiva
ou de "imoral".
Se
colocarmos essa propaganda no vidro traseiro dos ônibus,
virada para fora, mas em ônibus escolhidos que circulam
em bairros de classe A e B. Ou seja, seria uma publicidade
vista pelo pessoal que circula de carro e a pé nesses
bairros.
O
problema seria levar esse público à "sex-shop",
pois nem todos se sentiriam bem se vistos lá.
O
acesso virtual, por parte deste público, facilitaria
o contato. Limitaria o mercado-alvo a quem tem e usa Internet,
mas atenderia um público que jamais freqüentaria
um "sex-shop" pessoalmente.
E
assim vamos caminhando, dando asas à imaginação,
buscando em cada enxadada encontrar meia dúzia de
minhocas (sem quaisquer outros sentidos!).
A
idéia, que eu quero comparar, é que o ótimo
vídeo apresentado acima é mais ou menos como
um grito, atinge um público heterogêneo, faz
barulho.
Nem
sempre gritar é o melhor método, pois enfraquece
a próxima mídia que passará a ter que
GRITAR mais alto para obter atenção. Nesta
guerra a surdez é que dominará a todos, e
o que todos, marketeiros e publicitários, não
queremos.
A
proposta apresentada da publicidade no vidro traseiro dos
ônibus é mais dirigida, é suave. Esta
seria uma publicidade dirigida a um segmento específico
do mercado, o que nos remete ao artigo da semana passada:
segmentação de mercado, foco!
Qual
é a melhor propaganda ou publicidade?
É
aquela que apresenta resultados, e entre diversas publicidades
só a comparação de resultados obtidos
poderia dizer qual a melhor.
Os
resultados devem estar concentrados em quem paga a publicidade,
pois a dispersão de resultados entre os participantes
do mesmo ramo de atividade faz crescer também os
concorrentes, o que não é, certamente, o desejo
de quem as paga.
Eu
me lembro de uma publicidade veiculada na televisão,
em São Paulo, quando eu era jovem:
-
uma mesa de tênis de mesa bem escura,
-
os jogadores estão no escuro,
-
só se vê a bolinha sendo atirada de lá
para cá, de cá para lá,
-
a câmara vai se aproximando,
-
a bolinha começa a se definir,
-
percebe-se que a simples bolinha é a Terra,
-
entra a locução e diz algo como:
-
o mundo é jogado pelos donos do poder. Para saber
mais do mundo, leia o "Estado de São Paulo"."
Eu
adorei este anúncio, extremamente criativo, tanto
que me lembro dele até hoje. Só que eu não
gostava da linha desse jornal, mas passei a comprar mais
a "Folha de São Paulo".
Concluindo:
uma propaganda ou publicidade extremamente criativa, e que
não produza resultados concentrados no cliente que
a paga, é mais insignificante do que as propagandas
não veiculadas, pois estas não "gastaram"
tanto o tempo de veiculação como o tempo de
atenção dos possíveis clientes.
A
propaganda e a publicidade precisam, preferencialmente,
focar a sua vantagem competitiva, o seu diferencial, aquilo
que só você oferece para o seu público-alvo,
aquilo que só a sua oferta oferece.
Mostrar
a necessidade que os clientes têm do que você
faz ou fazer publicidade do seu ramo de atividade, pode
também, e ferequentemente é isso o que acontece,
incentivam a compra também nos seus concorrentes,
pois, a princípio, você se coloca como uma
opção, mais uma opção. Esta
atividade é bem próxima de chover no molhado.
Se
você precisa falar com o seu público-alvo,
lembre-se que o principal é capturar a atenção
do seu cliente potencial e deixar o recado. E o recado deve
ser o que só você oferece, aquilo que distigue
sua oferta da oferta dos concorrentes.
A
sua propaganda também precisa ser segmentada, na
medida em que você tem ofertas diferentes a públicos-alvos
diferentes.
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