CAINDO NA REAL VI: Eu Quero É Me Arrumar!

O cidadão se enfurece com os desmandos públicos, diz isso e aquilo destes governantes e aquilo outro dos outros acolá…

Um cidadão usa a crítica à educação oferecida pelo poder público, cidadão este que, com veemência, consistente e frequentemente critica o poder constituido.

Pode este cidadão ajudar?

CAINDO NA REAL encontramos o seguinte:

O cidadão foi convidado a fazer parte do governo, mais especificamente da Secretaria da Educação. Foi visto como uma possível solução, dado o conhecido tom crítico de suas observações.

 “Agora vai!” – era o comentário dos que conheciam a figura.

O dito cidadão, quando cooptado para fazer parte do poder público, passa a exercer autoritarismo semelhante ao que combatia antes de obter o seu emprego, dizendo em alto e bom som, justificando-se:

– “Quem entra em lagoa de sapos tem que coaxar.”

como se princípios e ética fossem coisa maleável. Este cidadão não é melhor nem pior do que aqueles que antes mereciam suas pesadíssimas criticas; enfim, um igual!

Essa figura é o caso real e constatado da grossura e do destempero a “serviço” do público! 

Dinheiro público na minha carteira é ótimo, a correspondente prestação de serviços, bem, fica para depois, eu quero é me incomodar o menos possível!

O Chico Anísio tinha um personagem, deputado bigodudo, que vivia falando:

 “Eu quero é me arrumar.”

Aquele ilustre empregado público, que coaxa qual sapo, tem o mesmo perfil do personagem do Chico Anísio, que se o povo der chances, chega a Brasília.

Este é só mais um aspecto do quanto reclamamos dos “políticos de Brasília”, mas praticamos os mesmos desmandos em nosso ambiente. Só muda a competência: quem teve competência, pratica desmandos em Brasília, quem não teve competência, pratica os mesmos desmandos na sua aldeia.

João Ubaldo Ribeiro publicou no jornal “O Estado De São Paulo”, na década de 90, um artigo memorável, intitulado:

Por Que Um Povo Tão Extraordinário Possui Políticos Tão Ordinários?”;

que ele mesmo, no decorrer do texto, conclui nas entrelinhas: é que o povo é tão ordinário quanto os políticos. Eu tive a paciência de digitar o referido texto. Caso você o queira, me escreva pedindo, que eu envio.

Os nossos representantes no Congresso Nacional nada mais são do que uma amostra representativa do nosso povo.

“A sociedade não é vítima, mas autora. Somos responsáveis pelos políticos em geral, pelos homens públicos que aí estão.”
Marco Aurélio Mello,
presidente do Supremo Tribunal Eleitoral

E nesse estado de coisas repulsivo só se abre pespectiva através de uma única saída: educação, educação pública, educação pública de boa qualidade para formar o cidadão. 

Leia aqui os outros artigos esta série de horror:

CAINDO NA REAL: Os Erros Da Educação

CAINDO NA REAL I: A Síndrome de Tássia Xando

CAINDO NA REAL II: Não Vamos Dar Moleza!

CAINDO NA REAL III: O Berço Esplêndido

CAINDO NA REAL IV: O Povo É Gado

CAINDO NA REAL V: Insistindo No Erro

Até uma próxima oportunidade.

Carlos Alberto de Faria

Graduado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1972 e Pós-Graduado em Marketing de Serviços pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997. Mais de 40 anos de experiência em Marketing.


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