CAINDO NA REAL I:A Síndrome de Tássia Xando

É fato básico conhecido em administração que elogios devem ser públicos e críticas construtivas devem ser feitas em particular. Este é um dos princípios mais básicos para preservar a auto-estima dos trabalhadores, quaisquer que sejam eles.

Este é o mundo das idéias onde se discute a liderança servidora, a liderança que não só orienta o liderado, mas se coloca como servidora para que o liderado possa obter todos os recursos que o conduzam a obter os resultados acertados e acordados anteriormente com o seu líder. 

Nestes conceitos modernos apontados o líder se coloca como instrumento facilitador e promovedor do sucesso do liderado, e o sucesso de cada liderado constrói o sucesso do líder.

Neste mundo comenta-se e se pratica a avaliação 360º, onde todos avaliam todos com os quais se relacionam, sem distinção hierárquica, buscando, em conjunto, obter as mais diversas opiniões dos construtores dos resultados, para que o sucesso seja partilhado e compartilhado, eliminando ambigüidades e conflitos.

Este é o mundo ideal…

CAINDO NA REAL encontramos o seguinte:

Uma “gestora pública de educação municipal”, do alto de suas tamancas, conferidas pelo seu cargo, que tanto pode ser eletivo ou de confiança, coloca-se como juíza última, e dispara em público o seguinte, usando e abusando do “poder”, a respeito de um seu liderado:

– “O senhor é um péssimo gestor.”

Não há orientação prévia, não há medidas para se aferir a qualidade do ótimo ou do péssimo, somente a percepção ou a opinião conferida pelo “poder”, configurando-se a famosa e conhecida Síndrome de Tássia Xando:

– “A minha percepção é a realidade! O mundo, visto da perspectiva do meu sagrado e luminoso umbigo, é a realidade. O resto é nada mais do que isso, o resto!”

que pode ser traduzida também da seguinte forma: quem pode, manda; quem não pode, obedece. 

O que se observa aqui é o exercício do poder pelo poder, para quem detém e adora o poder ; e é muito mais comum do que se pensa e se pretende.

O poder para servir a população e seus liderados, que são submetidos à oportunidade de sua avaliação suprema e inconteste, não se digna a ser também avaliada, e reina sobre a platéia de áulicos de plantão, ávidos de tanta luz emanada de tão resplandecente umbigo.

E todos temos que dormir com disparates deste quilate, de quem, a príncípio, deveria trabalhar para o povo, pelo povo.

Onde deveria haver a humildade da prática da diversidade, encontramos o patrimonialismo escarrado.

Leia os demais artigos desta série:

CAINDO NA REAL: Os Erros Da Educação

CAINDO NA REAL II: Não Vamos Dar Moleza!

CAINDO NA REAL III: O Berço Esplêndido

CAINDO NA REAL IV: O Povo É Gado

CAINDO NA REAL V: Insistindo No Erro

CAINDO NA REAL VI: Eu Quero É Me Arrumar!

Até uma próxima oportunidade.

Carlos Alberto de Faria

Graduado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1972 e Pós-Graduado em Marketing de Serviços pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997. Mais de 40 anos de experiência em Marketing.


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