AS MARCAS, VOCÊ E EU

Propaganda, reclame, marca, anúncio, logotipo.

Estas palavras invadiram o nosso dia a dia e as nossas vidas, passando despercebidas ou incorporadas ao nosso estilo de vida, à nossa maneira de viver nestes anos que iniciam este século XXI.

O marketing é tido e havido como responsável por algumas mazelas da vida moderna, confundido com propaganda e colocado como responsável pela sociedade de consumo ou pelo consumismo que é uma característica destes nossos tempos. Há ainda os que o acusam de gerar falsas necessidades e dirigir desejos.

Quando eu era garoto, e isso já faz tempo, no mínimo uns cinqüenta anos, pois conto hoje com 57 anos, propagandas, reclames, anúncios e logotipos eram veiculados, apresentados ao público por conta das empresas. E era da responsabilidade dessas empresas arcarem com os custos dessa veiculação.

Eu me lembro das propagandas ao vivo, na televisão, com uma garota-propaganda que fazia sucesso: Idalina de Oliveira. Nessa época, um seriado de sucesso era o Rin-Tin-Tin. E o patrocínio era do sabão em pó Rinso?

Hoje as marcas andam nas roupas, nos calçados, nos bonés, nos logotipos fixados nos vidros dos automóveis. As pessoas passam a veicular marcas, e o mais interessante, pagam a mais por isso. Tudo o que se usa, que tenha uma marca com nome no mercado, custa mais.

Este é o tema de hoje.

As empresas conseguiram uma inversão. Nós usamos uma calça Pierre Cardin, com a logo deles estampada acima do bolso traseiro, e esta calça-propaganda custa mais por apresentar este logotipo, apesar de eu estar fazendo propaganda da marca por todo lugar que eu ande com a bendita calça, pelo tempo que eu a usar.

Não é só a Pierre Cardin: Nike, Iódice, Topper, Vide Bula, Adidas, Lacoste, Zoomp, Rip Curl, No Stress, Umbro, Fórum, Ellus, Guess, GAP, Levis, Triton, Mormaii, Rainha, Goof, Reef, TNG, Diadora, Quick Silver, Billabong, Vitor Hugo, Zara, Rosa Chá, Armani, Nico Boco; Calvin Klein; Louis Vuitton; Dior; Lilica Ripilica, Cavalera.

Fomos invadidos pelas marcas, e as assumindo como parte integrante de nosso vestuário e jeito de viver; e as marcas também passaram a indicar qual o meu estilo, o meu perfil.

A qual tribo eu pertenço? É mais fácil identificar pela simbologia comercial e definidora de um estilo, impregnada em minha roupa, naquilo que eu uso.

Interessante. Eu não só virei um “out-door” ambulante, como sinto orgulho de ostentar esta ou aquela marca, transformei-me em um garoto-propaganda, e ainda pago a mais por isso. Você também?

Isso remete ao artigo da semana retrasada, que pode ser relido, com este enfoque d’As Marcas, Eu E Você’:

As Nossas Necessidades E Os Nossos Desejos

Com que necessidades e desejos trabalharam a sociedade, neste cinqüenta anos, para que uma atividade comercial antes paga, passasse a ser assumida por mim, que não virei parceiro, pois não recebo, mas trabalho para a empresa e ainda pago a mais por isso?

A resposta dada pelas empresas é que eu ganhei a certeza de estar usando um produto da mais alta qualidade, com o “design” adequado a meu estilo de vida, e ainda mais, me aproxima dos meus semelhantes, com mesmo estilo ou perfil.

Marcas, hoje, identificam qualidade, estilo ou perfil; maneira de viver. Marcas facilitam o contato entre os semelhantes, aproxima e define quem eu sou. Há a (completa?) identificação entre a marca que eu uso e quem eu sou. 

E o que eu sou? E você, o que você é? Uma marca ou o estilo que ela representa? Ou o estilo que eu tenho é identificado pela marca ou marcas que eu uso? E o lado comercial da marca?

Misturaram-se individualidade e comércio, pertencer a grupos e comércio.

Religiões estariam nesse mesmo barco? As religiões têm logotipos incorporados e o seu lado comercial.

Eu vejo que a sociedade incorporou e encampou o comércio dentro do seu jeito de ser, tornando o comércio integrado à vida e ao estilo de vida que assumimos. Que eu assumi. Que você assumiu!

Hoje é praticamente impossível você não ter uma camiseta de marca.

Eu, no momento, que escrevo este artigo, uso uma camiseta da Patadacobra, escola de mergulho daqui de Bombinhas, Santa Catarina. É uma camiseta que eu ganhei no curso que fiz de Nitrox.

Esta camiseta tem uma marca que não é da camiseta, mas de uma escola e me identifica como da tribo dos mergulhadores, fazendo propaganda gratuita da Patadacobra. Eu sou um “out-door” ambulante.

Como vocês vêem a mudança foi profunda nestes cinqüenta anos. E não há mais dúvidas: o comércio e as marcas estão incorporados à identificação do estilo de vida da maioria da população.

O meu conjunto de logos e marcas, estes que eu uso e utilizo, identificam ou ajudam a identificar quem eu sou e o que eu faço?

Quais marcas identificam a sua tribo? Ou melhor, as diversas tribos que você pertence ao longo dos diversos papéis que você assume durante a sua vida:

1. Esposo ou pai, esposa ou mãe?
2. Apreciador de comida italiana, ou chinesa, ou paquistanesa?
3. Assinante da Sky ou Directv?
4. Apreciador de mergulho ou tênis?
5. Formado em qual faculdade?
6. Empregado de qual empresa (você veste a camisa da sua empresa?)?
7. Leitor de Veja ou Época ou IstoÉ ou Carta Capital?
8. Qual ONG você pertence ou ajuda?
9. Sua roupa de trabalho é Pierre Cardin ou Hugo Boss?
10. Sua caneta é Montblanc, Lamy ou BIC?
11. Você usa a camiseta de Fortaleza ou de Gramado?

Somos uma sociedade que aceitou e se integrou plenamente ao comércio. As mudanças estão aí, mas para alguns ainda é difícil aceitar e compreender.

O que isso tem a ver com necessidades e desejos?

Como você identificaria as suas marcas e as conectaria você, ao seu estilo de vida e aos diversos papéis que você desempenha ao longo do dia e da vida?

Tente fazer a conexão entre o que você é, e o que você usa, leia o artigo:

Alinhamento Pessoal

Da sua resposta e das suas conexões surge o seu “As Marcas E Eu“.

E a marca da sua empresa? Essa marca comunica o que o cliente obtém da sua empresa? Essa marca é facilmente identificada pelo seu público-alvo? O seu público-alvo utiliza a marca da sua empresa mostrando que pertence à tribo dos seus clientes? Os seus clientes portam sua marca com orgulho?

A Merkatus pode ajudar você e a sua empresa a desenvolver a sua marca e a integração e fixação dela junto ao seu público-alvo para que sua empresa esteja sempre presente na cabeç do seu cliente. Para maiores informações, entre já em contato comigo.

Carlos Alberto de Faria

Graduado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1972 e Pós-Graduado em Marketing de Serviços pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997. Mais de 40 anos de experiência em Marketing.


Este artigo é uma prática de disseminação de conhecimento adotada pela Merkatus, através do correio eletrônico, de circulação restrita e exclusiva para pessoas, instituições ou empresas que manifestaram o interesse em recebê-lo. Este artigo aborda temas que ajudam as pessoas, as empresas e as instituições a aprimorar: a) a obtenção de mais e melhores clientes certos; b) a conformidade do que produzem ou fazem à demanda do seu mercado; c) a aproximação de interesses convergentes entre a demanda e a oferta, dentro da área de serviços. É nosso intuito promover o desenvolvimento pessoal e aprimorar as relações comerciais do mercado. 

Este artigo pode ser impresso, repassado ou copiado, no todo ou em parte, desde que: 1. mantida a autoria; 2. divulgado o autor; e 3. divulgado o endereço do site www.merkatus.com.br

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