A DIVERSIDADE NECESSÁRIA

A diversidade tem sido buscada, nas empresas, para que os múltiplos enfoques vindos de várias culturas, formações, orientações políticas, religiosas, sexuais possam fazer com que o que se produz – produtos e serviços – passe pelo crivo da maior diversidade possível de pessoas, conferindo uma maior aceitação, tanto nos diversos segmentos de mercado como na sua aplicação ou emprego.

A maioria das formas de discriminação – racismo e sexismo, talvez as mais freqüentes – são meros sintomas da defesa do espaço vital, da defesa do território que é considerado seu, da tendência de autoproteção. 

A própria diversidade pode ser incluída dentro de critérios de responsabilidade social, por ser política da empresa a não discriminação de quaisquer segmentos da sociedade, para clientes e empregados.

Rotineiramente a alta administração, ou como intitulou Raimundo Faoro, os donos do poder, de cada poder, delimitam o seu terreno, e o mantém livre de intromissão
de “outros”. Quem não faz parte da tribo ali constituída, é um estranho. E as tribos se multiplicam pela necessidade do ser humano de pertencer a algo: torcidas de clube, religiões, bairros, estados, países, etc. E estas manifestações tribais legitimam e estratificam o poder, tornando-o impermeável aos não pertencentes à tribo, a cada tribo. 

Cumpre romper estas barreiras para arejar, praticar uma política de inclusão, buscar novas dimensões e abordagens de problemas – e principalmente novas soluções -, não mais pelo voto, como na democracia, onde a maioria vence, e como a maioria vence, a minoria é perdedora, mas como consenso, onde a solução adotada é a de todos, e todos saem e são vencedores.

Ignorar, abusar e explorar são as ações mais utilizadas contra os não pertencentes à tribo. Incitar contra os diferentes é outra forma de discriminação, quaisquer que sejam as formas de incitamento.

Esta tendência atual à diversidade, dentro das empresas de ponta, precisa, brigatoriamente, vir acompanhada tanto de uma forte política de inclusão, como do exemplo
da alta administração, na aceitação dessa diversidade. O que nem sempre é fácil!

O processo de inclusão passa necessariamente pela alta direção que deverá dar o exemplo, para: 

– a admissão dos diferentes,
– a aceitação dos diferentes,
– que os diferentes possam, livremente, expor suas opiniões,
– que os diferentes possam dar a sua contribuição,
– que haja a receptividade dessa contribuição,
– que os diversos segmentos de empregados possam disponibilizar todo o seu potencial,

dentro de trabalhos de equipes, nas decisões por consenso. (Leia nosso artigo “CONFLITO: O Bem Necessário“)

Essa prontidão receptiva leva ao sucesso pessoal, da equipe, da empresa, e da sociedade.

Falando assim até parece bonito e simples. Nós temos certeza de que é simples, mas não é fácil, pois exige das pessoas uma mudança de atitude, que dentro dos três tipos de aprendizagem é o mais difícil (conhecimentos, habilidades e atitudes: o famoso CHA).

A diversidade leva de forma direta ao convívio de uma multiplicidade de culturas, visões e percepções. Essa diversidade leva também, obrigatoriamente, ao conflito.

O conflito, agora neste contexto, tem que ser visto e entendido como algo salutar, como uma oportunidade de aumentar a nossa percepção do mundo, pois cada vez
que nós compreendemos o outro, nós estamos mudando a nós mesmos, alargando nossa visão, ampliando a nossa capacidade de percepção, aumentando a nossa compreensão do mundo. O conflito é uma oportunidade de expansão da percepção, ou como eu escrevi em no artigo: “CONFLITO: O Bem Necessário“.

O conflito, como sinal de oportunidade, e não mais de crise, exige mudanças tanto de atitude frente ao conflito – não mais de evitação, mas de convivência e aceitação – como de desempenho na busca de soluções multi-compartilhadas, de soluções de consenso.

Você está preparado para a diversidade no seu ambiente de trabalho?

Seus pares estão preparados para a diversidade no ambiente de trabalho?

Sua empresa, ou a empresa onde você trabalha, está preparada para a diversidade?

A resposta a estas perguntas pode significar a diferença entre o sucesso e o fracasso, pois pode significar produtos e serviços mais adaptados aos diversos segmentos e maior responsabilidade social.

Façamos todos uma ótima semana!

Carlos Alberto de Faria

Graduado em Engenharia Eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em 1972 e Pós-Graduado em Marketing de Serviços pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em 1997. Mais de 40 anos de experiência em Marketing.


Este artigo é uma prática de disseminação de conhecimento adotada pela Merkatus, através do correio eletrônico, de circulação restrita e exclusiva para pessoas, instituições ou empresas que manifestaram o interesse em recebê-lo. Este artigo aborda temas que ajudam as pessoas, as empresas e as instituições a aprimorar: a) a obtenção de mais e melhores clientes certos; b) a conformidade do que produzem ou fazem à demanda do seu mercado; c) a aproximação de interesses convergentes entre a demanda e a oferta, dentro da área de serviços. É nosso intuito promover o desenvolvimento pessoal e aprimorar as relações comerciais do mercado. 

Este artigo pode ser impresso, repassado ou copiado, no todo ou em parte, desde que: 1. mantida a autoria; 2. divulgado o autor; e 3. divulgado o endereço do site www.merkatus.com.br

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