| Recentemente
a minha participação num clube de serviços
me concedeu o previlégio de participar ativamente da área
da educação.
Eu
acompanho esta área tão de perto, tanto por interesse
próprio, pois para mim é a única forma de levar
um país ao desenvolvimento sustentado, como por acordar todo
dia ao lado de uma psicopedagoga que conhece e pratica, com excelentes
resultados, a prática de educar.
A cidade de Porto Belo- SC está elaborando, de forma democrática,
o seu Plano Municipal de Educação. Por ser municipal,
a atuação do referido plano está centrado fortemente
na pré-escola e no ensino básico; portanto é
desse nível de educação que estaremos falando.
Para os outros níveis não é muito diferente.
Eu
acabei caindo e ou escolhendo dois grupos para a minha participação:
Valorização dos trabalhadores da educação
e Financiamento e Gestão.
No
primeiro grupo, junto das educadoras que pertencem ao quadro de
profissionais de educaçào do município de Porto
Belo:
Mirian
Conceição Roslindo e
Terezinha Rocha Cavalheiro
pudemos
desenvolver uma série de sugestões que não
tive como deixar de partilhar com vocês. Portanto o que vocês
lerão aqui foi uma obra escrita por nós, a seis mãos.
Com
certeza os acertos deste texto podem e devem ser creditados a estas
educadoras, e os erros à minha pessoa.
Como
o céu era o limite, e estávamos prontos para preparar
o sistema ideal, sonhamos o sonho impossível, para descobrir
que ele é bastante real e factível.
O
MÉRITO É O FOCO DA VALORIZAÇÃO
A pedra angular a valorização do trabalhador em educação
é que o mérito deve ser a única medida.
Para
os trabalhadores em educação, o mérito é
o quanto esse trabalhador se coloca inteiro na sua tarefa de educar.
Ressaltamos
aqui que há vários professores que mal conseguem transmitir
conteúdos, conhecimentos, outros que na área afetiva
são mais contra-exemplos; o que nos obrigou a afirmar que
há os “dadores de aula” e há os educadores,
e entre estes pontos extremos há todo um universo de professores.
O mérito
está em colocar os educadores como o norte a ser seguido,
o mérito está em reconhecer que o educador é
aquele que melhor prepara os seus alunos para a vida, deixando de
ser um mero repassador de conhecimento, mas um líder que
não somente aponta caminhos e orienta para a vida, como transmite
conhecimentos de uma forma integrada e íntegra.
O
mérito do educador deve ser medido pelo seu desempenho na
preparação do seu aluno, pelo seu resultado em levar
a sua turma a aprender o que deve ser aprendido. O resultado, que
todo educar deve buscar e perseguir, é obter a preparação
do seu aluno para a vida, é disponibilizar um cidadão
atuante na e para a sociedade.
O
mérito do professor é dado pelo percentual de alunos
aprovados, ou em outras palavras pelo percentual de alunos que preencheram
os requisitos mínimos de aprovação, dados pelo
conteúdo descrito nos Parâmetros Curriculares Nacionais,
ou outros instrumentos complementares estaduais e municipais.
É
através de avaliações justas e claras que se
promove o comprometimento e a direção dos esforços
no sentido de estabelecer não somente a valorização
do profissional da educação, mas a realização
do educador: participar, passo a passo, dia a dia, com seus esforços,
da construção de uma sociedade mais justa e cidadã.
Números
significativamente diferentes entre o que o professor obtém
em sala de aula - as suas avaliações - e as medidas
externas, feitas pela Secretaria Municipal, pela Secretaria Estadual,
e pelo Ministérios, todos da Educação, devem
ser analisadas detidamente.
Como
aprender não é decorar, mas aplicar o aprendizado
na vida, pode-se esperar números próximos, mas quase
nunca iguais.
A
EQUIPE
Deve ser incentivada a postura do educador, e não do mero
“dador” de aulas.
A aceitação e a prática da diversidade inicia-se
com a assunção da responsabilidade pela educação
por parte dos pais, comunidade, corpo docente, direção
e demais trabalhadores na educação. Não há
trabalhador “sem valor”, pois, ampliando-se o conceito,
toda forma de vida tem valor. E todos ajudam na educação
dos alunos e filhos.
O
educador está em cada membro da equipe, e não somente
nos professores, portanto a equipe de cada escola precisa trabalhar
coesa e unida. O espírito de equipe deve ser fomentado, e
os resultados compartilhados e celebrados por todos, sem distinção.
Celebrar
resultados deve ser uma prática constante, pois ajuda a apontar
e reconhecer esforços individuais e coletivos, o que ajuda
a promover a necessária auto-estima do corpo docente e discente.
Como
construir essa medida do mérito dos trabalhadores em educação?
PERIODICIDADE
DAS MEDIDAS
O governo federal vem realizando provas, com periodicidade de dois
anos, para aferir o estado atual da educação brasileira,
no caso do ensino básico, o SAEB e a PROVA BRASIL.
Uma
medida a cada dois anos é pouca, para corrigir os rumos de
uma prática educacional diária.
O governo
estadual deve fazer, de sua parte, avaliações a cada
6 meses, ou no máximo, a cada ano.
Já
o governo municipal deve fazer avaliações, de cada
escola, a cada seis meses, ou a cada bimestre, a princípio.
As
escolas devem fazer avaliações mensais de cada turma.
O
professor deve fazer avaliações com periodicidade
menor de 30 dias (no mínimo a cada 15 dias) para poder dar
respostas ao que encontra, mudar tendências, refazer suas
práticas para que estas conduzam os alunos a obter melhores
desempenhos nas avaliações mensais, que a direção
da escola realiza.
FORMA
OU CONTEÚDO
A primeira reação crítica a esta metodologia
é que estamos mais preocupados com a forma do que com o conteúdo
do ensino.
Os
Parâmetros Curriculares Brasileiros, editado pelo MEC, serve
como uma orientação, básica e primeira, a todas
as organizações educacionais do país, como
a base de conteúdo, portanto não devemos reinventar
a roda, já que ela existe e atende por este nome Parâmetros
Curriculares Brasileiros, e mais: as provas do governo federal são
feitas com base nesses Parâmetros.
O
pessoal da educação não tem por hábito
medir, e aqui se encontra uma grande falha. Como não se mede,
não se sabe direito onde estão as falhas, de quem
é a falha, e como fazer para corrigir as falhas.
Leia: CAINDO NA REAL V: Insistindo
No Erro.
E como
então nada muda, o estado letárgico da educação
brasileira permanece, quando não piora...
Ou
seja, para reconhecer e valorizar o desempenho e o comprometimento
do trabalhador em educação é necessário
mudar o foco ou dar um foco: é necessário medir o
resultado da prática educativa dos trabalhadores em educação.
MEDIDAS
NO DOMÍNIO COGNITIVO, AFETIVO E PSICOMOTOR
O governo federal não tem muitas condições
de avaliar as resultados da prática educativa como um todo,
fazendo essa avaliação no domínio cognitivo,
já suficiente para um primeiro momento, mas na medida em
que chegamos à escola, já se pode avaliar não
somente o domínio cognitivo, mas também o afetivo
e o psico-motor.
É
necessário elaborar, praticar e medir as práticas
de um currículo nas áreas afetiva e psico-motora.
E não
somente o professor, mas toda a equipe, do segurança ao almoxarife,
da merendeira ao Secretário de Educação (prefeito?),
do professor às serventes, pois todos que participam da área
da educação devem responder solidariamente pelos resultados.
MISSÃO,
VISÃO E VALORES
Para a obtenção destes dados de avaliação
de todos os trabalhadores em educação passaremos necessariamente
pelo estabelecimento de:
- Missão:
o que nós fazemos, o nosso propósito e para quem (nosso
cliente);
- Visão:
o que nós queremos nos tornar, o que nossa prática
diária, o nosso tijolo vai produzir daqui a 20 anos (a nossa
catedral?);
- Valores:
quais são os comportamentos e atitudes necessários,
esperados e cobrados dos trabalhadores na educação,
que dão suporte e alavancam a Missão e Visão?
Este
tipo de avaliação entrega ao trabalhador a percepção
que as suas práticas educativas provocam nas pessoas que
interagem com ele, em sua função como educador, qualquer
que seja ela.
Estabelecidas
estas três orientações básicas, resta
medir o grau de adesão de cada trabalhador na educação
a cada uma dessas orientações, ou partes delas, num
processo conhecido como avaliação 360º, onde
todos os que têm contato com o trabalhador na educação
avaliam esse trabalhador, quer seja outro trabalhador na educação,
outro funcionário da prefeitura, e principalmente os alunos
e pais de alunos.
Este
tipo de avaliação tira aquele ranço de ser
avaliado pelo superior, onde o superior tanto pode ter uma visão
distorcida, como pode ser provocada uma atitude defensiva no avaliado,
o que tiraria todo o benefício da avaliação,
que a adequação das práticas educativas de
cada trabalhador, no sentido da melhoria contínua dos resultados
obtidos.
Este
tipo de medida atende a uma reclamação ou constatação
muito freqüente: a necessidade de mudança de postura
do corpo de funcionários da educação, portanto
integrar, comprometer e medir o desempenho de todos os empregados
da educação de cada escola, e da Secretaria de Educação,
na aplicação diária da Missão, Visão
e Valores.
MELHORIA
CONTINUA
Estabelecer uma política de avaliação que contemple
o resultado principal: aquisição ou incorporação
de conhecimentos, habilidades e atitudes no corpo discente, mas
também o espírito de equipe do corpo docente, que
conduz aos resultados desejados e acordados.
Para
que servirão estas medidas?
Estas
medidas servirão para dirigir os esforços no sentido
de:
- orientar
os esforços do corpo de trabalhadores e das pessoas da educação
no sentido de aprimorar o sistema educacional do seu município;
- elaborar
plano de capacitação para obtenção de
resultados, visando corrigir falhas, promover o desenvolvimento
do quadro de empregados e do espírito de equipe de cada escola,
melhorar a preparação do trabalhador na educação,
pois os melhores teriam direito a cursos para crescimento pessoal,
e os que ficarem com os piores resultados com cursos de reciclagem;
- usar
o mérito para garantir a promoção salarial.
Os professores com pós-graduação, mestrado
ou doutorado podem ter um piso salarial maior, mas a progressão
salarial acima deste piso é feita exclusivamente por mérito:
resultados alcançados em sala de aula, ou na direção
da escola;
- o
mérito também deve ser utilizado como primeiro fator
na lotação ou remanejamento de professores, a antiguidade
como segundo fator, no caso de empate no primeiro;
DIREÇÃO
DA ESCOLA
Promover a democratização do ensino é um dos
princípios da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional.
A eleição
de diretores, que tem um mandato de dois anos, é uma forma
de ensinar o povo a votar, pois o mandato é de somente dois
anos.
A comunidade
deve ser esclarecida que o desempenho do diretor eleito deve considerar
o atendimento das necessidades da comunidade (alunos, pais, professores
e funcionários efetivos e temporários), sempre no
sentido de prover a comunidade dos melhores serviços que
competem à escola como construtora da cidadania.
Os
candidatos à eleição de diretores devem ter
formação e experiência na condução
de escolas, ou experiência ou formação.
RECUPERAÇÃO
DE ALUNOS
Visando a melhoria dos resultados, com foco na aprendizagem, deve
ser estabelecida uma prática que contemple a recuperação
paralela de alunos com deficiência de aprendizagem, para inseri-lo
rapidamente no mesmo processo que seus colegas de classe estão
vivenciando, garantindo maior produtividade ao processo da educação.
LUGAR
DE PROFESSOR É NA SALA DE AULA
Estabelecer valores de regência de classe como uma forma de
levar o professor à sua atividade fim e evitar a ocupação
de professores em outras atividades fora do foco da sua contratação.
FINANCIAMENTO
E GESTÃO
A Gestão da Educação Municipal e os Recursos
Financeiros alocados a ela devem estar voltados e vinculados a resultados,
buscando uma administração objetiva e perene, sem
vínculos com a política municipal, que pode mudar
a cada 4 anos.
A avaliação
geral dos trabalhadores em educação do município
deve conter vinculação entre os resultados municipais,
estaduais e federais e a participação percentual no
orçamento anual do município;
CONCURSOS
PÚBLICOS
As Secretarias de Educação devem ser exemplares. Todos
os profissionais que lá trabalham têm origem em cconcursos
públicos. Todos os cargos e funções na área
da Educação devem conter critérios de formação,
títulos e critérios mínimos de desempenho..
A efetivação
dos profissionais concursados, após o período probatório
mínimo de 2 anos, deve prever que eles tenham resultados
de sua avaliação melhor que a média do quadro
de empregados, à época do concurso, para cada um dos
itens avaliados.
Esta
forma de validação dos concursados alavanca para cima
a média dos trabalhadores na educação do município.
Você acredita que a educação básica no
Brasil está boa? Leia aqui a minha vivência na educação
básica nos estados do Paraná e Santa Catarina:
CAINDO
NA REAL: Os Erros Da Educação
CAINDO
NA REAL I: A Síndrome de Tássia Xando
CAINDO
NA REAL II: Não Vamos Dar Moleza!
CAINDO
NA REAL III: O Berço Esplêndido
CAINDO
NA REAL IV: O Povo É Gado
CAINDO
NA REAL V: Insistindo No Erro
CAINDO
NA REAL VI: Eu Quero É Me Arrumar!
Até
uma próxima vez.
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