CARLOS ALBERTO DE FARIA  apresenta:
ARTIGO


UMA PROPOSTA DE GESTÃO PARA O
ENSINO BÁSICO

Recentemente a minha participação num clube de serviços me concedeu o previlégio de participar ativamente da área da educação.

Eu acompanho esta área tão de perto, tanto por interesse próprio, pois para mim é a única forma de levar um país ao desenvolvimento sustentado, como por acordar todo dia ao lado de uma psicopedagoga que conhece e pratica, com excelentes resultados, a prática de educar.

A cidade de Porto Belo- SC está elaborando, de forma democrática, o seu Plano Municipal de Educação. Por ser municipal, a atuação do referido plano está centrado fortemente na pré-escola e no ensino básico; portanto é desse nível de educação que estaremos falando. Para os outros níveis não é muito diferente.

Eu acabei caindo e ou escolhendo dois grupos para a minha participação: Valorização dos trabalhadores da educação e Financiamento e Gestão.

No primeiro grupo, junto das educadoras que pertencem ao quadro de profissionais de educaçào do município de Porto Belo:

Mirian Conceição Roslindo e
Terezinha Rocha Cavalheiro

pudemos desenvolver uma série de sugestões que não tive como deixar de partilhar com vocês. Portanto o que vocês lerão aqui foi uma obra escrita por nós, a seis mãos.

Com certeza os acertos deste texto podem e devem ser creditados a estas educadoras, e os erros à minha pessoa.

Como o céu era o limite, e estávamos prontos para preparar o sistema ideal, sonhamos o sonho impossível, para descobrir que ele é bastante real e factível.

O MÉRITO É O FOCO DA VALORIZAÇÃO
A pedra angular a valorização do trabalhador em educação é que o mérito deve ser a única medida.

Para os trabalhadores em educação, o mérito é o quanto esse trabalhador se coloca inteiro na sua tarefa de educar.

Ressaltamos aqui que há vários professores que mal conseguem transmitir conteúdos, conhecimentos, outros que na área afetiva são mais contra-exemplos; o que nos obrigou a afirmar que há os “dadores de aula” e há os educadores, e entre estes pontos extremos há todo um universo de professores.

O mérito está em colocar os educadores como o norte a ser seguido, o mérito está em reconhecer que o educador é aquele que melhor prepara os seus alunos para a vida, deixando de ser um mero repassador de conhecimento, mas um líder que não somente aponta caminhos e orienta para a vida, como transmite conhecimentos de uma forma integrada e íntegra.

O mérito do educador deve ser medido pelo seu desempenho na preparação do seu aluno, pelo seu resultado em levar a sua turma a aprender o que deve ser aprendido. O resultado, que todo educar deve buscar e perseguir, é obter a preparação do seu aluno para a vida, é disponibilizar um cidadão atuante na e para a sociedade.

O mérito do professor é dado pelo percentual de alunos aprovados, ou em outras palavras pelo percentual de alunos que preencheram os requisitos mínimos de aprovação, dados pelo conteúdo descrito nos Parâmetros Curriculares Nacionais, ou outros instrumentos complementares estaduais e municipais.

É através de avaliações justas e claras que se promove o comprometimento e a direção dos esforços no sentido de estabelecer não somente a valorização do profissional da educação, mas a realização do educador: participar, passo a passo, dia a dia, com seus esforços, da construção de uma sociedade mais justa e cidadã.

Números significativamente diferentes entre o que o professor obtém em sala de aula - as suas avaliações - e as medidas externas, feitas pela Secretaria Municipal, pela Secretaria Estadual, e pelo Ministérios, todos da Educação, devem ser analisadas detidamente.

Como aprender não é decorar, mas aplicar o aprendizado na vida, pode-se esperar números próximos, mas quase nunca iguais.

A EQUIPE
Deve ser incentivada a postura do educador, e não do mero “dador” de aulas.

A aceitação e a prática da diversidade inicia-se com a assunção da responsabilidade pela educação por parte dos pais, comunidade, corpo docente, direção e demais trabalhadores na educação. Não há trabalhador “sem valor”, pois, ampliando-se o conceito, toda forma de vida tem valor. E todos ajudam na educação dos alunos e filhos.

O educador está em cada membro da equipe, e não somente nos professores, portanto a equipe de cada escola precisa trabalhar coesa e unida. O espírito de equipe deve ser fomentado, e os resultados compartilhados e celebrados por todos, sem distinção.

Celebrar resultados deve ser uma prática constante, pois ajuda a apontar e reconhecer esforços individuais e coletivos, o que ajuda a promover a necessária auto-estima do corpo docente e discente.

Como construir essa medida do mérito dos trabalhadores em educação?

PERIODICIDADE DAS MEDIDAS
O governo federal vem realizando provas, com periodicidade de dois anos, para aferir o estado atual da educação brasileira, no caso do ensino básico, o SAEB e a PROVA BRASIL.

Uma medida a cada dois anos é pouca, para corrigir os rumos de uma prática educacional diária.

O governo estadual deve fazer, de sua parte, avaliações a cada 6 meses, ou no máximo, a cada ano.

Já o governo municipal deve fazer avaliações, de cada escola, a cada seis meses, ou a cada bimestre, a princípio.

As escolas devem fazer avaliações mensais de cada turma.

O professor deve fazer avaliações com periodicidade menor de 30 dias (no mínimo a cada 15 dias) para poder dar respostas ao que encontra, mudar tendências, refazer suas práticas para que estas conduzam os alunos a obter melhores desempenhos nas avaliações mensais, que a direção da escola realiza.

FORMA OU CONTEÚDO
A primeira reação crítica a esta metodologia é que estamos mais preocupados com a forma do que com o conteúdo do ensino.

Os Parâmetros Curriculares Brasileiros, editado pelo MEC, serve como uma orientação, básica e primeira, a todas as organizações educacionais do país, como a base de conteúdo, portanto não devemos reinventar a roda, já que ela existe e atende por este nome Parâmetros Curriculares Brasileiros, e mais: as provas do governo federal são feitas com base nesses Parâmetros.

O pessoal da educação não tem por hábito medir, e aqui se encontra uma grande falha. Como não se mede, não se sabe direito onde estão as falhas, de quem é a falha, e como fazer para corrigir as falhas.

Leia: CAINDO NA REAL V: Insistindo No Erro.

E como então nada muda, o estado letárgico da educação brasileira permanece, quando não piora...

Ou seja, para reconhecer e valorizar o desempenho e o comprometimento do trabalhador em educação é necessário mudar o foco ou dar um foco: é necessário medir o resultado da prática educativa dos trabalhadores em educação.

MEDIDAS NO DOMÍNIO COGNITIVO, AFETIVO E PSICOMOTOR
O governo federal não tem muitas condições de avaliar as resultados da prática educativa como um todo, fazendo essa avaliação no domínio cognitivo, já suficiente para um primeiro momento, mas na medida em que chegamos à escola, já se pode avaliar não somente o domínio cognitivo, mas também o afetivo e o psico-motor.

É necessário elaborar, praticar e medir as práticas de um currículo nas áreas afetiva e psico-motora.

E não somente o professor, mas toda a equipe, do segurança ao almoxarife, da merendeira ao Secretário de Educação (prefeito?), do professor às serventes, pois todos que participam da área da educação devem responder solidariamente pelos resultados.

MISSÃO, VISÃO E VALORES
Para a obtenção destes dados de avaliação de todos os trabalhadores em educação passaremos necessariamente pelo estabelecimento de:

- Missão: o que nós fazemos, o nosso propósito e para quem (nosso cliente);

- Visão: o que nós queremos nos tornar, o que nossa prática diária, o nosso tijolo vai produzir daqui a 20 anos (a nossa catedral?);

- Valores: quais são os comportamentos e atitudes necessários, esperados e cobrados dos trabalhadores na educação, que dão suporte e alavancam a Missão e Visão?

Este tipo de avaliação entrega ao trabalhador a percepção que as suas práticas educativas provocam nas pessoas que interagem com ele, em sua função como educador, qualquer que seja ela.

Estabelecidas estas três orientações básicas, resta medir o grau de adesão de cada trabalhador na educação a cada uma dessas orientações, ou partes delas, num processo conhecido como avaliação 360º, onde todos os que têm contato com o trabalhador na educação avaliam esse trabalhador, quer seja outro trabalhador na educação, outro funcionário da prefeitura, e principalmente os alunos e pais de alunos.

Este tipo de avaliação tira aquele ranço de ser avaliado pelo superior, onde o superior tanto pode ter uma visão distorcida, como pode ser provocada uma atitude defensiva no avaliado, o que tiraria todo o benefício da avaliação, que a adequação das práticas educativas de cada trabalhador, no sentido da melhoria contínua dos resultados obtidos.

Este tipo de medida atende a uma reclamação ou constatação muito freqüente: a necessidade de mudança de postura do corpo de funcionários da educação, portanto integrar, comprometer e medir o desempenho de todos os empregados da educação de cada escola, e da Secretaria de Educação, na aplicação diária da Missão, Visão e Valores.

MELHORIA CONTINUA
Estabelecer uma política de avaliação que contemple o resultado principal: aquisição ou incorporação de conhecimentos, habilidades e atitudes no corpo discente, mas também o espírito de equipe do corpo docente, que conduz aos resultados desejados e acordados.

Para que servirão estas medidas?

Estas medidas servirão para dirigir os esforços no sentido de:

- orientar os esforços do corpo de trabalhadores e das pessoas da educação no sentido de aprimorar o sistema educacional do seu município;

- elaborar plano de capacitação para obtenção de resultados, visando corrigir falhas, promover o desenvolvimento do quadro de empregados e do espírito de equipe de cada escola, melhorar a preparação do trabalhador na educação, pois os melhores teriam direito a cursos para crescimento pessoal, e os que ficarem com os piores resultados com cursos de reciclagem;

- usar o mérito para garantir a promoção salarial. Os professores com pós-graduação, mestrado ou doutorado podem ter um piso salarial maior, mas a progressão salarial acima deste piso é feita exclusivamente por mérito: resultados alcançados em sala de aula, ou na direção da escola;

- o mérito também deve ser utilizado como primeiro fator na lotação ou remanejamento de professores, a antiguidade como segundo fator, no caso de empate no primeiro;

DIREÇÃO DA ESCOLA
Promover a democratização do ensino é um dos princípios da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

A eleição de diretores, que tem um mandato de dois anos, é uma forma de ensinar o povo a votar, pois o mandato é de somente dois anos.

A comunidade deve ser esclarecida que o desempenho do diretor eleito deve considerar o atendimento das necessidades da comunidade (alunos, pais, professores e funcionários efetivos e temporários), sempre no sentido de prover a comunidade dos melhores serviços que competem à escola como construtora da cidadania.

Os candidatos à eleição de diretores devem ter formação e experiência na condução de escolas, ou experiência ou formação.

RECUPERAÇÃO DE ALUNOS
Visando a melhoria dos resultados, com foco na aprendizagem, deve ser estabelecida uma prática que contemple a recuperação paralela de alunos com deficiência de aprendizagem, para inseri-lo rapidamente no mesmo processo que seus colegas de classe estão vivenciando, garantindo maior produtividade ao processo da educação.

LUGAR DE PROFESSOR É NA SALA DE AULA
Estabelecer valores de regência de classe como uma forma de levar o professor à sua atividade fim e evitar a ocupação de professores em outras atividades fora do foco da sua contratação.

FINANCIAMENTO E GESTÃO
A Gestão da Educação Municipal e os Recursos Financeiros alocados a ela devem estar voltados e vinculados a resultados, buscando uma administração objetiva e perene, sem vínculos com a política municipal, que pode mudar a cada 4 anos.

A avaliação geral dos trabalhadores em educação do município deve conter vinculação entre os resultados municipais, estaduais e federais e a participação percentual no orçamento anual do município;

CONCURSOS PÚBLICOS
As Secretarias de Educação devem ser exemplares. Todos os profissionais que lá trabalham têm origem em cconcursos públicos. Todos os cargos e funções na área da Educação devem conter critérios de formação, títulos e critérios mínimos de desempenho..

A efetivação dos profissionais concursados, após o período probatório mínimo de 2 anos, deve prever que eles tenham resultados de sua avaliação melhor que a média do quadro de empregados, à época do concurso, para cada um dos itens avaliados.

Esta forma de validação dos concursados alavanca para cima a média dos trabalhadores na educação do município.

Você acredita que a educação básica no Brasil está boa? Leia aqui a minha vivência na educação básica nos estados do Paraná e Santa Catarina:

CAINDO NA REAL: Os Erros Da Educação

CAINDO NA REAL I: A Síndrome de Tássia Xando

CAINDO NA REAL II: Não Vamos Dar Moleza!

CAINDO NA REAL III: O Berço Esplêndido

CAINDO NA REAL IV: O Povo É Gado

CAINDO NA REAL V: Insistindo No Erro

CAINDO NA REAL VI: Eu Quero É Me Arrumar!

Até uma próxima vez.

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