Este
artigo, originalmente, estava previsto para ser um Boletim Eletrônico
Semanal. No entatanto, dado o seu cunho e abordagem técnica
ser um pouco hermético e pouco digerível, optei por
colocá-lo como um artigo.
Mas
não se enganem! O conteúdo altera, ou melhor, define
ações do marketing. Por exemplo, este artigo mostra
porque a emoção é básica nas decisões,
diferentemente alguns que achavam ser a lógica... Aos que
se interessarem, ao artigo!
Eu
me deparo, freqüentemente, com opiniões e asserções
colocando a lógica como algo a ser perseguido e a emoção,
bem... a emoção... a emoção como “algo
não muito bem visto”.
Esta
perspectiva me deixa preocupado, pois já faz algum tempo,
o livro “O Erro de Descartes”, de Antonio Damásio,
neurocirurgião português, radicado nos EUA, chefe do
Departamento de Neurocirurgia da Universidade de Yowa, PhD, informa
que Descartes, com sua frase:
“Penso, logo existo.”
representou
um progresso dentro da construção da cultura ocidental
e humana, no entanto, os seus estudos o conduziram para uma outra
frase, mais precisa e correta, à luz do que hoje conhecemos
dos mecanismos de funcionamento do cérebro:
“Existo
e sinto, logo penso.”
Esta
afirmação derivou-se de algumas constatações
de que pessoas que, por quaisquer traumatismos ou doenças,
tiveram a sua amígdala cerebral perdida.
Estas
pessoas não perdem o seu senso de lógica, resolvem
problemas matemáticos complexos, mas são desprovidos
de todas e quaisquer emoções. Estas pessoas, que não
perderam a capacidade de resolver problemas matemáticos complexos,
na hora de decidir qual camisa colocar, não sabem decidir,
e ficam estagnados, parados, sem saber o que fazer.
A constatação de Damásio poderia ser simplificada
da seguinte forma: o bebê só possui sensações,
e o trato destas sensações, com o mundo que o cerca,
é que produz uma lógica, segundo a qual ele começa
a estabelecer contato e relações com o mundo que o
cerca. Na ausência do sentimento, a lógica perde a
valia, pois ela é que ajuda a tomar as grandes, pequenas
e corriqueiras decisões, tal como qual camisa usar agora!
A
lógica, então tão necessária ao aprendizado,
é derivada e constrói-se sobre as emoções,
sobre as sensações e sobre o amadurecimento dos sentimentos.
As crianças, que não possuem um amadurecimento afetivo,
têm comprometido sua possibilidade de diálogo com o
mundo, sua vivência de sentimentos ainda não possibilita
a absorção do conhecimento, pela falta da lógica
que é derivada da pouca vivência emocional e parca
troca de sentimentos e afetividade.
Desta
forma, mais uma vez, o que se imaginava serem pólos opostos
(lógica ou emoção) são na realidade
integrados (lógica e emoção), fazem parte indivisível
de um todo. Ou seja, toda decisão tem o seu componente lógico,
mas este componente lógico tem base e origem nas emoções
e nos sentimentos.
O
conhecimento atual mostra que toda decisão humana tem um
caráter lógico, mas esta lógica é construída
fortemente pela vivência das emoções e sentimentos;
enfim, todas e quaisquer decisões humanas têm um componente
emocional e lógico, nesta ordem. E mais, que sem emoção
e sentimentos, não há decisão!
Desta
constatação há inúmeras mudanças
possíveis de serem trabalhadas:
-
no ensino infantil de alfabetização: a afetividade
ajuda a construir o arcabouço da lógica, o que confere
uma importância crescente do domínio afetivo do professor
para ajudar as crianças a se desenvolverem;
- nas organizações: sentir-se pertencente a uma empresa,
que participa da construção de uma sociedade melhor,
alavanca, a princípio, melhores desempenhos;
- no marketing: como construir a apresentação de um
produto ou serviço, como conduzir um processo de compra,
pelas características específicas (decisões
lógicas) ou pela emoção (decisões emocionais)?
A resposta, a estas últimas indagações, está
na frase de um dos meus “gurus”, Alan Weiss:
“A
emoção faz as pessoas agirem,
a lógica faz as pessoas pensarem.”
As
implicações desta confirmação científica,
da intuição de Alan Weiss, exercem uma verdadeira
re-evolução nos conceitos de marketing.
Qual é esta re-evolução? Você tem idéia?
O seu jeito de fazer o seu negócio é extremamente
afetado por esta descoberta.
Até
um próximo artigo!
Carlos Alberto de Faria
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