CARLOS ALBERTO DE FARIA  apresenta:
 
 
ARTIGO
O DESAFIO E AS COMPETÊNCIAS (I)
  

Uma das ondas da moderna administração, que mais perdura, é a que trata das competências.

Convém deixar claro que entendemos competências como:

- capacidade pessoal ou conjunto de capacidades pessoais, um conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que uma pessoa tem;

- prontidão ou capacidade de resposta às necessidades organizacionais: desenvolvimento, comprometimento e obtenção de resultados desejados ou acordados.

A 1º definição é mais acadêmica, já a 2º é mais operacional. Sob o ponto de vista do empregado é ter ele o perfil necessário e suficiente para que execute, realize as atividades e tarefas, que conduzam aos resultados acordados e desejados.

O grande foco das competências é a provisão de postos de trabalho com pessoal com as competências necessárias para alcançar os resultados esperados e desejados.

Dentre os aspectos deste enfoque de competências, que são pouco comentados, está o reflexo da administração por competências sobre os empregados. Este é o nosso assunto deste artigo.

A importância da administração das competências é que essa abordagem tenta fazer a adequação, o equilíbrio entre o desafio do cargo ocupado e as competências necessárias, tanto para a plena consecução dos resultados esperados e desejados (um dos lados da empresa), como para a satisfação e realização do próprio empregado.

Vamos analisar melhor este aspecto das competências pelo lado do empregado. O empregado, ao se propor assumir um cargo, uma função, um posto de trabalho qualquer, assume o desafio de colocar sua potencialidade a serviço da empresa para obter os tais resulatdos esperados e desejados.

O confronto entre o tamanho do desafio e a potencialidade do empregado, o seu repertório de conhecimentos, habilidades e atitudes pode gerar 3 situações:

   
1 DESAFIO MENOR QUE AS COMPETÊNCIAS
  O desafio é menor do que as competências do empregado. O empregado pode fazer mais do que o desafio proposto. Um empregado nesta situação por muito tempo sente-se aborrecido, sente falta de estímulo, sente ansiedade, enfim, fica frustrado já que não consegue se realizar. Neste caso os resultados podem não ser alcançados por apatia ou desânimo. Pode haver reflexos negativos no clima organizacional.
   
2 DESAFIO MAIOR QUE AS COMPETÊNCIAS
  O caso contrário é quando o desafio é superior às capacidades, o desafio é superior às competências do empregado. Neste caso o empregado sente medo, o medo imobiliza, deixa-o perplexo e também ansioso. Neste caso os resultados não são alcançados pela inadequação(*) entre as competências e o desafio, já que os conhecimentos, habilidades e atitudes do empregado são insuficientes para alcançar os resultados. Também pode haver reflexos negativos no clima organizacional.
   
3 DESAFIO E COMPETÊNCIAS EQUILIBRADOS
  A posição de equilíbrio, aquela em que o desafio é suportado, na medida, pelas competências, gerando no empregado um sentimento de realização, bem-estar. O trabalho flui e o que deve ser feito é muito bem feito (efetividade).
   

Todo este conceito pode ser representado em um diagrama, que facilita e transforma em imagem toda essa explicação: a Matriz de Stamp, apresentada abaixo.



Figura 1 - Matriz de Stamp, para empregados.

Das 3 situações acima descritas, somente a terceira situação - a que equilibra o desafio e as competências - é a que apresenta uma efetiva solução, as outras são fontes de problemas, tanto para o empregado como para a própria empresa.

E a sua empresa, faz o equilíbrio entre desafio e competências?

Lembre-se, na área de serviços, o desempenho dos seus empregados de contato com o público é parte integrante e indissociável do seu serviço, é parte do seu "produto". Como seus empregados se sentem reflete-se na qualidade percebida do serviço, razão pela qual trabalhar na faixa azul do gráfico é tão importante e necessário.

Num próximo artigo comentaremos os benefícios da administração por competências para as empresas.


(*) - Falamos em inadequação entre o desafio e as competências, pois a utilização do termo incompetente deve ser evitada por dois grandes motivos:

a) o empregado não reúne as competências - conhecimento, habilidades e atitudes - necessárias para o desempenho adequado de um cargo específico, mas possui competências para outros cargos. O rótulo de incompetência costuma ser genérico e altamente discriminatório;

b) a única incompetência real, que há nestes casos, é a dos que preencheram o cargo que exige tais competências com alguém - pobre infeliz - que não tem as condições mínimas para assumir o cargo.

Rotular alguém de incompetente, portanto, é fugir da responsabilidade, ou esconder a sua responsabilidade, ou de seus colegas de trabalho ou do seu chefe, ou conjunto destes.

Até um próximo artigo!

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