A liberdade
não tem qualquer valor
se
não inclui a liberdade de errar.
Mahatma
Gandhi
Abaixo
você encontrará um relato pessoal do que aconteceu comigo,
sobre o atendimento de um banco.
Parodiando o famoso soneto “Ouvir Estrelas”, de Olavo Bilac,
com enfoque nas empresas, nos dias de hoje, poderia ficar
assim:
Ouvir Clientes
Ora (direis) ouvir clientes! Certo
Perdeste o senso!”E eu vos
direi, no entanto,
Que, para ouvi-los, sempre desperto
E abro os ouvidos, ansioso mas não tanto...
E conversamos sobretudo, enquanto
Outros chegam, a cada vez, ao certo,
E esperam. E, vindo o sol, saudoso e em pranto,
Inda os escuto pelo ermo deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com eles? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai esses entes!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e atender clientes.”
Um conhecido banco brasileiro, vindo para aqui, em nossa
região, tomou algumas medidas interessantes:
- fechou o acesso aos terminais de auto-atendimento
nos finais de semana ;
- todas as atividades que podem ser feitas no terminal de
auto-atendimento não são atendidas, pessoalmente, no balcão;
- a fila se forma nos terminais de auto-atendimento, chegando
a ir para fora do posto, pois não é agência ainda.
O nosso
município, Bombinhas (SC), tem relevo acidentado, morros,
subidas e descidas, e se acrescente: praias lindíssimas
com águas transparentes. O transporte público inexiste...
Há uma agência em Porto Belo, município
ao lado, depois de um morro enorme, ou então um único e
outro terminal, em um supermercado, depois do morro do Piolho,
em outra praia...
Há somente dois terminais de auto-atendimento no posto,
um, vez por outra, quebrado, ou inoperante.
Vendo como as pessoas sofrem para lidar com a máquina, e
como esperam, nas filas que se formam, inclusive para fora
da agência, fui conversar com a gerente.
Esta gerente, gentil, me explicou que o banco estuda a possibilidade
de montar uma agência em nossa cidade, já para atender no
verão, uma vez que Bombinhas sai dos seus pacatos 14.000
habitantes, durante o ano, para mais de 150.000 veranistas,
do final de dezembro ao Carnaval!
Eu solicitei:
- a
agência abrir no final de semana e
- fosse instalada mais uma máquina de auto-atendimento.
A resposta,
tão gentil quanto ineficaz: isso não é possível, pois fora
de cronograma, tem que haver licitação, e coisa e tal.
Muito embora uma fechadura eletrônica resolvesse o acesso
ao banco nos finais de semana... Ou até uma porta nova!???
O que eu me espantei é que a gerente estava tentando me
fazer entender os problemas do banco, quando na realidade
ela deveria, por dever de ofício, estar focada no atendimento
às demandas dos clientes, que ela reconhecia reais, mas
que nada podia fazer.
Uma completa inversão de papéis, o cliente – eu - sendo
convidado a entender o problema do banco!!! Era o que me
faltava!
A gente morre e não presencia tudo!
Evidentemente, não satisfeito com a resposta obtida, e com
a postura auto-centrada adotada pela gentil representante
do banco, disse-lhe que iria subir com as minhas reclamações.
Ela
me informou que, se eu fosse reclamar ao Serviço de Atendimento
ao Cliente, ela mesmo é quem iria me responder, e que não
seria nada de diferente do que ela me dizia naquele momento.
E que na Ouvidoria eu só poderia reclamar, depois de haver
reclamado no SAC.
Assim o fiz. E o que ela me disse realmente aconteceu.
O Detalhe do SAC:
A atendente do SAC pede explicações detalhadas sobre o que
você reclama, para entender direito. Depois do entendimento,
ela pede para você esperar, enquanto ela redige a sua reclamação.
Ouve-se ela teclando...
Esse procedimento, absurdo, mostra que o banco quer otimizar
o tempo de atendimento dos seus atendentes, e esses atendentes
não podem se desconectar do cliente e escrever após dispensar
o cliente, pois outra chamada chega automática e imediatamente
após o cliente desligar, impedindo-o de prosseguir a escrita.
O atendente não tem o comando da chamada, o cliente desligou,
chega outra chamada, automaticamente. Isso acontece também
em uma série de operadoras de telefonia. Você já vivenciou
isso na sua pele?
Esta
forma, utilizada pelo banco e pelas operadoras de telefonia,
o atendente está sempre ocupado. E o banco acha que está
garantindo produtividade máxima. O pior é que não está.
Mas isso fica para outra oportunidade, ou leia aqui:
ATENDIMENTO AO PÚBLICO:
O Principal Indicador E Algo Mais
Este
procedimento usado “garante” produtividade aos seus empregadores.
Assim eles pensam...
Essa produtividade é obtida graças à falta de respeito desse
banco, não otimizando o tempo do seu cliente, obrigando-o,
a seu exclusivo critério e para seu exclusivo e pretenso
benefício – LÓGICO, DO BANCO! - reter o cliente, tomando
o tempo do cliente, pois assim é melhor para o banco – ou
operadora.
O
banco diz com todas as letras que tempo do banco é muito
importante, já o do cliente...
Vergonha! Desrespeito!
Empresas voltadas para a demanda dos seus clientes... ou
para si próprias?
Voltando à reclamação, em resposta ao que eu coloquei no
SAC, voltou a gerente me respondendo exatamente como havia
me respondido pessoalmente. Ou seja, o banco me colocou
andando em
círculo.
Em
seguida registrei a reclamação na Ouvidoria.
A Ouvidoria
Indignado, mais uma vez, aguardei um
tempo e, ontem, telefonei à Ouvidoria.
Surpresa!
A atendente da ouvidoria me disse que a minha solicitação
havia sido encerrada, e que o banco estava tomando providências,
e que, “em breve”, o problema seria solucionado.
Foi a primeira vez que ouvi falar em fechadura da porta.
Deve ser uma fechadura eletrônica para abrir com cartão.
Ora, eu trabalho com atendimento ao público, em e com empresas
de serviço, faz uns 30 anos, e sei – faz tempo – que:
- BREVE,
- URGENTE,
- ASSIM QUE POSSÍVEL,
não
querem dizer absolutamente nada.
BREVE, URGENTE, e ASSIM QUE POSSÍVEL podem demorar um tempo
de:
- algumas horas,
- alguns dias,
- alguns meses, ou
- até vários anos
para
que as ditas “providências cabíveis” sejam tomadas.
Ou seja, isso é usado para ludibriar ou para não
se responsabiliuzar, pode até ser inconsciente, resultado
de uma cultura distorcida, pois é uma informação que diz
que fará algo, a certo tempo, sem especificar tempo algum.
Uma total falta de comprometimento e de transparência.
Você já ouviu falar em “providências cabíveis”? Alguém,
com boa vontade, poderia me dizer o que são providências
cabíveis? E cabíveis para quem, cara-pálida?
Depois a atendente me disse que há os problemas de licitação,
etc. e tal...
Eu, novamente, estava sendo convidado a entender o problema
do banco...
Eu, novamente, coloquei que o cliente era eu, e que eu é
que precisava ser entendido e atendido. O BREVE nada me
dizia de quando os clientes do banco poderiam ser atendidos
- e respeitados – com a presteza que merecem...
Ouvidoria X Procuradoria de Defesa
do BANCO
A atendente arguiu que se abrisse novamente a reclamação
nada de diferente eu iria ouvir.
Eu perguntei aos meus botões:
- “Se montaram a tal da Ouvidoria, esta deve
ouvir os clientes, ser uma porta de entrada, receptiva e
amistosa, das suas reclamações e reivindicações, jamais
um ponto, onde o pedido, reclamação ou sugestão do cliente
encontre uma barreira...”
Ou a
Ouvidoria é um braço do cliente inconformado, que não consegue
ser ouvido, um órgão de recorrência, que atua internamente
ao banco, levando a palavra do cliente, ou deixa de ser
uma Ouvidoria, passando a ser uma Procuradoria de Defesa
do banco, contra os clientes!!!
Ouvidoria, por ser ouvidoria, deve entender e registrar
o que o cliente quer, deseja, busca, procura e está com
dificuldades de ser atendido em sua demanda.
Caso haja defesa da postura do banco (!!!), essa Ouvidoria
transforma-se em Defensoria!
Eu levantei os seguintes pontos para a atendente, que não
discutíamos nada sobre licitações, mas fazíamos duas simples
perguntas:
1º) O banco é ou não é competente para
atender à população em horários dentro e fora do expediente
bancário? E em quanto tempo?
2º) O banco é ou não competente para atender as demandas
dos seus clientes?
O
que o banco vai fazer, se licitação, se substituição, se
fechadura eletrônica ou tramela, cadeado ou guarda armado,
se vai comprar no mercado de usados, enfim como o banco
vai fazer, é problema do banco.
O cliente só quer ser respeitado como cliente!
A atendente da Ouvidoria, a contragosto, registrou a minha
indignação, que tem 30 dias para ser respondida.
Pode?
Se a gerente do banco não pode fazer nada, tem que esperar
da matriz, para que reclamar com o gerente?
Se o que diz a gerente é verdade final, imutável e suprema,
para que SAC? Para que Ouvidoria?
Se o banco não tem as competências para atender as demandas
dos seus clientes, para que banco? Ceda lugar aos mais competentes.
Esse banco, ou faz isso, ou muda, ou o mercado fará com
que ele mude.
Aliás, eu cheguei à conclusão que os empregados desse banco
acham que banco sem cliente é ótimo!!! É um banco voltado
a cumprir as suas formalidades, banco e formalidades criadas
para dar emprego aos seus empregados.
E o banco é-se suficiente, cumpre suas formalidades, e a
finalidade se esgota nas formalidades.
O cliente? Ora o cliente! Por certo você perdeu o senso,
tresloucado amigo!
E você, você atende os seus clientes, na sua empresa, de
que jeito?
Continuaremos este relato a semana que vem.
Eu espero que este Banco do Brasil S.A. não seja um exemplo
a ser seguido.
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Carlos Alberto de Faria
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