“Seja
a mudança que você deseja ver no mundo.”
Mahatma Gandhi
Durante
o período de férias, revendo alguns amigos
e familiares,
encontrei duas pessoas próximas falando de uma mesma
forma,
sobre uma dificuldade comum a ambos.
Essa
dificuldade comum, o título já deixa a dica,
tem a ver com
a contratação de pessoal.
Ambos
reclamam da dificuldade “simples”, segundo eles:
-
“O que eu quero é simples.”
O
que eles querem é encontrar pessoas que sejam comprometidas,
que estejam efetivamente dispostas a aprender e empregar
o que sabem no sentido do crescimento da empresa que atuam
e, principal e logicamente, do seu próprio crescimento.
Somente
através da demonstração de resultados
trazidos por cada pessoa, é que se constrói
uma carreira de valor, e se justifica o salário que
se recebe.
Uma
grande parte da população crê que, por
estar formada, as empresas têm obrigação
de darem emprego a elas, e lhes pagar um ótimo salário.
Para esses, para um mergulho na realidade do mercado, eu
recomendo a leitura do artigo:
MERCADO
DE TRABALHO: Realidade e Recomendações
A
minha reação foi de espanto, pois estas pessoas
próximas a
mim, até bem próximas de mim, desconhecem
um dado básico
de mercado: pessoas formadas, com diplomas e títulos,
há de
sobra no mercado.
A
disseminação dos cursos superiores e, mais
recentemente, dos
cursos de pós-graduação, provocou uma
verdadeira avalanche de
formados, treinados, pós-graduados e mestres no país.
A
princípio há sobra de profissionais no mercado.
A primeira
impressão é que sobram profissionais no mercado,
sobra
conhecimento. E esta é uma verdade límpida
e certa.
A
dificuldade “simples”, apontada por eles, é
um grande problema, se não for “o” grande
problema do recrutamento e seleção de pessoal,
da grande maioria das empresas sérias deste país.
A
grande verdade é que sobram pessoas formadas, mas,
no entanto, faltam pessoas competentes.
O
grande problema é que faltam profissionais no Brasil
que, simples e objetivamente, dêem conta do recado.
A
razão básica de tal fato é que o conhecimento
aprendido nas
faculdades, nos bancos escolares, não garante a sua
utilização
em benefício de quem contrata e, nem tampouco, de
quem o
detém.
Formar-se
em algum curso, e em alguma faculdade especial, não
são credenciais, a princípio, para quaisquer
pessoas.
Qualsquer
pessoa há que se utilizar, transformar esse conhecimen-to
em algo que agregue valor para a empresa, e dado o que a
pessoa agrega de valor à empresa, tenha o seu próprio
valor notado, reconhecido e celebrado.
Para
fazer acontecer, tornar o conhecimento produtivo há
a
necessidade de ter atitude, que é a dimensão
volitiva do ser
humano: são as nossas atitudes, as nossas vontades,
as nossas decisões que fazem diferença.
Volição
é um processo pessoal de adoção de
uma atitude conscien-te visando um determinado fim, através
das suas secisões, inten-
ções e ações.
Dentro
dos domínios de Benjamin Bloom, este separou as áreas
da atuação ou desempenho humano em
-
domínio psicomotor (habilidades
e destreza física),
-
domínio cognitivo (conhecimento)
e
-
domínio afetivo (normalmente entendido
como atitudinal).
Essa
mesma separação ganhou o nome no Brasil de
CHA –
Conhecimentos, Habilidades e Atitudes.
Para
ler mais sobre o assunto: O
CHA DO EMPREENDEDOR
Os
treinamentos e cursos cuidam, em sua grande maioria, do
conhecimento e das habilidades.
Já
as atitudes podem também ser “ensinadas”,
mas são mais
coisas ditas “de berço”, que vem da noção
de valores da família
e da sociedade em que a pessoa está imersa.
As
dinâmicas, a terapia, o “coaching” e o
“mentoring” são outras
formas de se moldar atitudes, que diferentemente do que
se diz,
e se acredita, podem ser mudadas e adquiridas.
Aqueles
que reclamavam que queriam uma coisa “simples”,
estavam simplesmente reclamando que queriam pessoas
com
atitudes, resolvidas, maduras, proativas, que é
exatamente o que mais é difícil ser encontrado
no mercado.
Posso
até cometer um engano, mas afirmo que é a
minha mais
sincera opinião:
-é
relativamente fácil encontrar uma pessoa com atitude,
e a
treinar nos conhecimentos e habilidades necessárias;
-
é mais fácil ainda recrutar uma pessoa que
tenha os conhecimentos e habilidades necessárias
e as atitudes esperadas;
-
o mais difícil de todos é fazer com que uma
pessoa adquira
atitudes, vontade, determinação, se ela já
não os tiver.
A
suficiência do repertório individual de cada
pessoa,
-
para quaisquer atividades que não sejam meramente
repetitivas,
-
que exijam o uso do cérebro para pensar e sentir,
perceber o que
acontece e com quem acontece, e tomar uma ação
coerente,
passa necessariamente pelo domínio afetivo, pela
volição.
A
existência, disseminada na Internet, de “empresas”
e “profissionais”, que oferecem trabalhos de
conclusão de cursos, e trabalhos finais de pós-graduação,
em qualquer nível, em qualquer assunto, mediante
um pagamento, dá o tom de quem se forma, e do que
se pratica neste país.
Os
próprios usuários destes “serviços”
é que nos mostram do que estamos falando. Você
concorda?
Lembram-se
da matriz apresentada no artigo
A AUTOLIDERANÇA E VOCÊ? A Matriz
da Autoliderança?
Vamos
apresentá-la mais uma vez.

A
forma mais antiga de aprendizado é conhecida por
tentativa e
erro. Aprende-se fazendo, errando e tornando a fazer.
As
pessoas que se situam no quadrante AMARELO têm dificuldades
de aprender, pois acreditam em si, mas não tem o
repertório interior que dê suporte a essa presunção.
Falham, portanto, sempre que isto ocorre. E não aprendem
com o tempo, nestes casos.
-
“E que tem esse gráfico a ver com o assunto
de hoje?”- você me pergunta.
A
minha resposta é simples e direta: a capacidade de
aprendizado de qualquer pessoa está diretamente ligada
à sua capacidade de se submeter à realidade,
e aprender com o tempo, com os seus erros e acertos, e com
os erros e acertos dos outros, se ela for esperta.
E
a capacidade de aprender, e se reformular constantemente,
é um dos desafios e uma das necessidades das empresas
modernas. As empresas somente mudam se os empregados mudarem,
as empresas somente aprendem se os empregados aprenderem.
Thomas
Edison, um dos maiores inventores que o mundo conheceu,
confrontado por uma repórter com o fato dele haver
cometido 2.000 erros para chegar ‘a lâmpada
elétrica, contrapôs a sua verdade, à
repórter:
-
“Eu tive apenas um único sucesso, obtido em
2.000 etapas.”
O
ser humano obtém no erro a oportunidade do aprendizado.
As
pessoas, que na oportunidade do erro, não aprendem,
não são mudadas pela experiência, a
experiência e o erro só lhes servem para culpar
os outros pelos erros que cometem.
Essas
pessoas são conhecidas como portadoras do síndrome
de
Tássia, “tássia” achando.
Pessoas
portadoras dessa síndrome de Tássia não
mudam suas
atitudes, deixam de aprender com os seus próprio
erros, pois se
tornam cegos a eles.
Qual
é o grau de compromisso que um profissional destes
tem com o seu próprio desenvolvimento? Com a empresa
para qual trabalham?
João
Ubaldo Ribeiro, nos idos anos 90, escreveu um crônica
intitu-
lada:
“Por
que um povo tão extraordinário possui políticos
tão ordinários?”
A
resposta, que ele entrega no texto, é a mesma que
o Millôr já
disse há mais tempo ainda:
“O
micromundo do Congresso Nacional é igual ao macromundo.”
Esta
é a razão pela qual empresas recrutam pessoas,
durante o
dia, usando lanternas, qual um certo filósofo grego.
É
muito mais produtivo para quaisquer empresas contratarem
pelas
atitudes necessárias, e pelos conhecimentos e as
habilidades. Não
encontrando esse profissional, dê preferência
ao que possua as
atitudes, jamais ao conhecimento e às habilidades,
a não ser em casos excepcionais.
Sua
empresa ou você têm dificuldades de detectar
e desenvolver atitudes e você precisa recrutar e selecionar.
A Merkatus pode ajudar. Contate-nos: