"Toda
a empresa tem a fidelidade que merece."
Carlos Alberto de Faria
"O
preço da fidelidade é a aterna vigilância."
Millôr Fernandes
________________________________________________________________
RESUMO:
"Fidelizar clientes é
um caminho utilizado em marketing, pois clientes comprando
repetidamente são mais lucrativos, pois não
há mais o investimento em obtê-los, eles já
conhecem os caminhos, têm menores custos associados.
A fidelização é uma ferramenta poderosa,
e desconhecida até de alguns profissionais de marketing."
________________________________________________________________
Na semana passada, em uma comunidade voltada
ao marketing, surgiu um tópico que deu o que escrever...
A
pergunta que deflagrou o debate acalorado foi:
-
"Você acredita realmente na fidelidade?"
Como
eu travei um debate não tão inglório
com o pessoal, e revendo o debate, julguei apropriado trazer-lhes
o que profissionais de marketing, ou quase isso, pensam
e julgam sobre um dos conceitos mais atuais e importantes
do marketing.
Por
razões de compreensão e de maior clareza eu
editei um pouco as minhas respostas, e não coloco
as respostas dos outros participantes, pois não tenho
autorização de cada um deles para usar os
seus escritos; ao invés disso eu coloco as razões
que me levaram a dar respostas, antes destas.
A
minha primeira resposta, sobre acreditar ou não em
"fidelização", foi esta:
"A
"coisa" não é tão simples
assim...
Eu
acho isso, eu acho aquilo, eu acho que existe, eu acho que
não existe, eu acredito, eu não acredito ...
Há
fidelidade comercial, embora o termo seja retirado de relações
pessoais.
Há
fidelidade comercial comportamental, mais fácil de
ser obtida. Mas há a fidelidade comercial atitudinal,
a mais procurada, mas bem mais difícil de ser obtida,
portanto mais rara, bem mais rara.
Eu
recomendo, para os que tiverem paciência, a leitura
de um artigo que eu cometi:
CLIENTE
FIEL: O Que É E Como Medir?
Lá
vocês podem encontrar melhor o que se entende hoje
por fidelização e suas medidas efetivas."
Aqui,
um debatedor coloca que no ramo de negócios de gráficas
não dá para fidelizar, pois os clientes querem
menor preço. Esta foi a minha resposta.
"A
fidelidade não ocorre por ramos de negócios.
A fidelidade comercial é construída, passo
a passo, assim como nas relações pessoais.
A
fidelidade comercial ocorre quando você monta o seu
negócio para atender e exceder as expectativas dos
seus clientes. Consistentemente, consistentemente sendo
melhor que os seus concorrentes, que, inevitavelmente, copiarão
você e sua empresa.
Você
pode ser dono de uma gráfica e trabalhar no ramo
gráfico. Neste caso você oferece o arroz com
feijão, e só pode cobrar o arroz com feijão...
Você
pode ter uma gráfica e trabalhar no ramo da perfeição,
rapidez e pontualidade.
Enquanto
no primeiro negócio você depende do preço
que o mercado pratica, no segundo você define o seu
preço, pois se o cliente quer ou precisa de perfeição,
rapidez e pontualidade, só pode ser com você.
No
primeiro você jamais obterá fidelidade, no
segundo você tem tudo obtê-la.
Um
caso real: uma gráfica rápida imprimia o que
lhe traziam, rapidamente, segundo seus critérios.
Alteração
introduzida, aumentando a rapidez, com resultados de incremento
no valor percebido pelos clientes e o correspondente aumento
de receita: dez opções padrão de papelaria,
criadas com exclusividade por designer contratado, para:
-
dentistas,
- médicos,
- engenheiros,
- arquitetos, enfim,
- todos os profissionais liberais
que
precisam de cartão de visita, papel timbrado, envelopes,
etc. e tal.
Essa
gráfica passou a fazer mais do que os seus concorrentes,
ela deixou de estar no ramo gráfico e passou a trabalhar
em soluções gráficas rápidas
para o segmento de profissionais liberais.
Como
construir a fidelidade?
A
Harley Davidson conseguiu. Há mães que só
compram Nestlé para seus filhos e sua família.
Para
se construir a fidelidade, inicia-se com a fidelidade comportamental
e se vai construído, paulatinamente, vínculos
emocionais, até chegar à fidelidade atitudinal:
há que se ocupar a cabeça do cliente e não
dar espaços para os concorrentes."
Então
um debatedor coloca que não crê em fidelidade.
Eu fico pasmo e assustado, pois este é um campo de
estudo do marketing, ao qual se tem dedicado muito tempo
e trabalho, com resultados excepcionais.
Segue
minha resposta.
"Sempre
que temos crenças, por não terem o devido
respaldo de fatos, pois por isso são crenças,
elas podem, dependendo do assunto e do quanto a crença
é enraizada no nosso ser, virar uma âncora,
impedindo o movimento de aprendizado, que exigiria liberdade
de mudar. E, normalmente, quem crê, não muda,
não aprende.
A
crença tanto pode ser uma bússola, como uma
âncora.
Leia
o artigo:
VALORES
E CRENÇAS: Bússola Ou Âncora?
A
posição de aprendiz na vida exige estar pronto
para ver, verificar e mudar, exige a humildade de não
ter verdades que não possam ser mudadas, ou seja,
crenças.
Vamos
a um caso bem prático daqui de Bombinhas, numa atividade
bastante comum, a princípio: eu tenho um amigo rotariano
que "puxa areia e brita".
Ele
vendia areia, mas o diferencial dele, que ele não
sabia ser diferencial, e não sabia que ele podia
cobrar por esse diferencial, era que o volume que ele entrega
é garantido, e o prazo negociado sempre é
atendido. Com ele 1 metro cúbico é sempre,
no mínimo, 1 metro cúbico. E o prazo de entrega
é o acordado.
Ele
entrega areia, mas vende volume certo e, prazo combinado,
prazo cumprido.
Uma
empresa construtora, aqui de Bombinhas, cliente dele, está
iniciando uma obra em Balneário Camboriú,
chegou nele, para conversar sobre a entrega de areia e brita
em Balneário.
Como
a distância a ser percorrida é maior, o meu
amigo colocou um preço maior. O dono da construtora
nem regateou, fechou de imediato, porque disse ter absoluta
confiança nele, e que as possíveis diferenças
de preço não compensam o aluguel da sua cabeça
(dele, do construtor).
Isto
não é fidelização?
Fidelização
não vem do nada, vem da construção
de relacionamentos comerciais com vantagens mútuas,
ao longo do tempo, vem da construção de relações
comerciais onde se pratica o ganha-ganha, onde se constrói
a confiança recíproca.
Normalmente,
no Brasil, tem-se muita pressa para criar relacionamentos,
queremos os clientes para toda vida, mas não queremos
cultivá-los.
Mas...
só se colhe o que se planta.
Outro
debatedor coloca que fidelização é
teoria, que na prática não funciona. Esta
foi a resposta.
"Em
marketing, uma área pragmática por excelência,
não existe teoria, existe a prática que deu
certo, que, sistematizada, torna-se teoria.
Por
este motivo eu passo, sempre, para os meus clientes, o par
informação - ação, pois não
basta fazer, tem que se saber o porquê as "coisas"
são feitas, dando respaldo e consistência à
ação."
O
mesmo debatedor coloca que o exemplo da Nestlé não
tem o mínimo valor, pois os produtos da Nestlé
são uma porcaria...
"A
Nestlé, como todos e cada um de nós, não
agrada a todos.
A
Nestlé tem um nome, uma marca construída ao
longo do tempo. Há segmentos de mercado cujos clientes
são verdadeiros advogados da Nestlé.
Em
suma, porcaria para alguns, excelência para outros.
E la nave vá..."
Como
este debatedor nega valor à fidelização,
não reconhece a possibilidade da existência
"disso", eu rebati:
"Não
querendo convencê-lo, mas quero lhe passar uma informação,
que para mim é muito valiosa.
Você
conhece os Critérios de Excelência do PNQ?
É
uma atividade minha, anual, pegar o livreto do PNQ, e deglutir
o que eles modificaram, e as razões da mudança.
Eu
sugeriria você dar uma olhada no livreto, no item
3.2: Relacionamento com os clientes; em seu item f está
escrito:
"Como
são avaliadas e comparadas a satisfação,
a fidelidade e a insatisfação dos clientes,
inclusive em relação aos clientes dos concorrentes?"
Agora,
se o PNQ também for lixo, nada mais tenho a fazer.
Ah!,
para quem se interessar, você se cadastra no sítio
da FNQ (www.fnq.org.br) e então se abre a possibilidade
baixar gratuitamente o livreto, para ser lido com o Acrobat
Reader."
O
mesmo debatedor dá o exemplo do leite longa vida,
onde, segundo ele, não há fidelização.
"Se
o que se está comprando é considerado uma
"commodity", então ocorre a compra pelo
preço menor, em muitos casos.
Há
os que preferem os produtos com uma marca mais confiável,
caso contrário os leites mais caros encalhariam.
O que a experiência nega.
Pegar
o exemplo de "commodities", para dizer que não
há fidelidade é uma generalização
um pouco forçada, você não acha?
Eu
digo isso porque a fidelização está
exatamente no campo oposto ao das "commodities"...
a fidelização exige customização.
De
resto só não há fidelização
exatamente quando não há diferenciação,
quando tanto faz comprar esta ou aquela marca. Até
no sal há os que preferem o tal do sal Cisne. Você
compra Sal Cisne?
Você
diz sobre teoria, eu dei dois exemplos reais, um deles vivido
aqui num pequeno município que não tem 20.000
habitantes, com um produto "areia e brita", que
é uma "commodity", mas que o serviço
associado gerou fidelização. O outro exemplo
foi da gráfica.
Eu
citei o insuspeito Critérios de Excelência
do PNQ, que fala especificamente em fidelização,
informando o item onde se encontra da palavra fidelização.
Parece-me
que aqui não estamos mais debatendo opiniões
e colocando conhecimentos, mas debatendo crenças.
Resumindo:
eu trouxe exemplos práticos e vividos da gráfica
e do "puxador de areia e brita" e citei uma fonte
de alta confiabilidade na área empresarial brasileira.
E você continua a falar em teoria...
Mais,
não posso fazer.
E
crenças, política e torcida é melhor
não debater, pois os juízos de valor, cada
um de nós temos os nossos. E merecemos respeito pelos
nossos juízos de valor. Portanto paro aqui esse debate
com você sobre fidelidade, mas continuo a contribuir
com o grupo, caso veja oportunidade de colocações
minhas."
Por
fim, percebendo que o debate sobre "fidelização"
continuava no campo perigoso dos achismos e crenças,
o que coloca em cada pessoa o julgamento da existência
ou utilidade de um determinado campo do conhecimento humano,
cometi esta resposta.
"Vocês
acreditam em marketing?
No
fim, na essência, é este o debate aqui.
A
fidelização, apesar do nome não ser
apropriado, é um conceito. E traz junto com o conceito,
uma série de ferramentas e ações para
que se obtenha a tal da fidelidade, sob o ponto de vista
de marketing.
A
fidelidade, em marketing, é medida, grosso modo,
pelas compras repetidas.
A
fidelidade, quer queiramos ou não, é uma aplicação
prática e existente do marketing.
Se
você acredita ou não, infelizmente isso não
pega nada. A fidelidade continua existindo, e várias
empresas sérias caminham e envidam esforços
para obtê-la e mantê-la.
Se
você não a entende, convém estudá-la,
ao invés de negá-la.
Trazer
isso para o campo pessoal, parece-me mais colocar-se como
fonte de todas as percepções:
-
"O que eu não sinto, não existe."
Isto
beira a falta de empatia, e um pouco de soberba, no meu
ponto de vista, já que eu vivencio ações
práticas e concretas de fidelização,
diariamente. Você também percebe algo próximo
disso?
Há
dois tipos de fidelização comercial: a comportamental,
mais fácil de ser obtida, e a atitudinal, aquela
semelhante à fidelização encontrada
em times de futebol, preferências musicais, idolatria.
Aos
interessados, façam uma pesquisa no Google com o
termo: "attitudinal loyalty".
Não
devemos colocar o termo fidelização na mesma
acepção usada na religião, muito embora,
possa ter elementos bem semelhantes e próximos, às
escolhas de torcidas de times de futebol, às preferências
musicais, aos ídolos de cada um... O que varia é
o grau de apego emocional.
O
termo ENCANTAR o cliente sofre igual crítica, já
que a palavra encantar é forte.
Mas
qual palavra utilizar, que seja mais do que corresponder
às expectativas, que seja correspondente a exceder
às expectativas?
Aliás,
nem adianta concordar, as palavras ENCANTAR e FIDELIZAR
já estão no dicionário de marketing,
quer queiramos ou não, quer "acreditemos"
ou não.
A
nós só resta aceitarmos as palavras fidelização
e encantamento, dentro dos conceitos utilizados pelo marketing.
Caso
contrário podemos cair na vala, nos debatendo com
a pergunta:
-
"Você acredita em Marketing?"
ou,
erradamente,
-
"Marketing existe ou não?";
quando
deveríamos estar plantando fidelidade para colher
clientes para toda a vida, com os correspondentes lucros.
Este
é o meu ponto de vista."
E,
lido este debate, a sua empresa pratica fidelização?
Você
sabe qual o caminho para a fidelizar os seus clientes?
Na
semana que vem trataremos da construção da
fidelidade.
Se
a sua empresa precisa fidelizar clientes, ou aumentar a
receita com os clientes existentes, a Merkatus pode ajudá-lo.
Contate-nos: